3 filmes de Spike Lee

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Fiquei muito feliz com a recepção que o último filme de Spike Lee, Destacamento Blood (2020), teve em seu recente lançamento na Netflix, lançamento esse que ganhou aura de filme-evento. Mais além dos méritos disso ter acontecido ou não por conta do investimento em publicidade da gigante do streaming, a verdade é que esse reconhecimento e relevância são mais do que merecidos.

Ainda que pontuada por autos e baixos, a carreira de Lee é cheia de filmes fortes e extremamente políticos, que geralmente refletem o estado atual da sociedade no momento em que foram feitos. Como alguns temas infelizmente continuam atuais, caso do preconceito geralmente retratado em seus filmes, podemos rever Faça a Coisa Certa (1989) mais de 30 anos após o seu lançamento e ainda nos surpreendermos com o quão pouco nós melhoramos de lá pra cá.

Aproveitando essa nova onda de interesse pela obra do diretor, indico aqui 3 filmes que retratam sua enorme criatividade e versatilidade na arte de fazer cinema.

 

Chi-Raq (2015) – Disponível na Amazon Prime Video

No ano 411 a.C, Aristófanes escreveu uma comédia famosa intitulada Lisístrata, na qual um grupo de mulheres se tranca num templo e vota a favor de uma greve de sexo, na tentativa de por fim à guerra entre Atenas e Esparta (Guerra do Peloponeso), e acaba provocando uma batalha entre os sexos numa sociedade dominada pelos homens.
Com esse material rico em mãos, o diretor Spike Lee resolveu trazer a história para os dias de hoje, dando conta de abordar alguns temas ainda relevantes, e acrescentar vários outros.
Nessa nova roupagem, a história se passa em Chicago (ou Chi-Raq, como muitos a chamam no filme) e o estopim para que as mulheres decidam começar a tal greve é a morte de uma criança vítima da guerra entre duas gangues rivais.
Todos os diálogos do filme foram construídos em forma de rima, o que acaba por transformar a produção numa enorme batalha de rimas entre as mulheres: apresentadas como o lado da sensibilidade e da inteligência, e os homens: meras caricaturas compostas de músculos e pouca visão.
Uma das coisas mais interessantes mostradas aqui é como as mulheres, mesmo estando em gangues rivais, aderem rapidamente ao movimento e reconhecem a importância do mesmo como ferramenta para alcançar a paz, enquanto os homens levam o filme inteiro para chegar à mesma conclusão.
Apesar de um pouco arrastado, o filme ganha muitos pontos pela criatividade e pelo discurso anti-violência ainda tão necessário nesse momento extremamente reacionário pelo qual estamos passando.

 

Ela Quer Tudo (She´s Gotta Have It, 1986) – Disponível na Netflix

Filmado em 1986, o primeiro filme de Spike Lee já dava fortes indícios do que viriam a ser as próximas produções do diretor. Filmado quase inteiramente em preto e branco, somos apresentados aos poucos ao universo da protagonista Nola Darling. Bonita, confiante e talentosa, Nola é super bem resolvida com a liberdade do seu corpo e com o fato de ter um ou mais parceiros. Os problemas começam quando os homens não veem esse poliamor com bons olhos e exigem de alguma forma que ela decida, que escolha apenas um deles.

Ter uma mulher negra como protagonista e consciente de sua liberdade sexual foi revolucionário na época do lançamento, e ainda carrega um frescor e originalidade necessários nos dias de hoje. Infelizmente o filme não é todo acerto e contém sua parcela de erros, especialmente na cena de estupro feita claramente para “punir” essa liberdade sexual como sendo algo negativo. É como se o filme nos dissesse que sim, você pode transar e sair com várias pessoas, mas que em algum momento isso vai ter que acabar. Como se a liberdade tivesse que vir com um prazo de validade.

Em entrevistas feitas na época do lançamento da série baseada no filme, também dirigida por Spike Lee em 2018, o diretor se desculpou imensamente pela cena, dizendo que tinha vergonha da mesma e que jamais faria algo assim novamente.

 

Faça a Coisa Certa (Do The Right Thing, 1989) – Disponível no Telecine

À primeira vista, Faça a Coisa Certa é um filme levemente confuso. Spike Lee vai nos apresentando vários personagens e situações num ritmo frenético, mas em pouco tempo percebemos que não poderia ser de outra forma.

A história se passa no decorrer de um dia extremamente quente de verão no Brooklyn, o que envolve o filme numa aura febril, sufocante. Além disso, toda a ação se dá no espaço aparente de um quarteirão, o que limita um grupo gigantesco de personagens que se conhecem (latinos, asiáticos, brancos ítalo-americanos ou não e afro-americanos) a um espaço relativamente pequeno, aumentando a sensação de ebulição.
O dia começa logo cedo com o anúncio do radialista dizendo “Acordem” (palavra utilizada em diversos filmes do diretor), que pode ser lida como um simples “bom dia” dentro do contexto da rádio no período da manhã, mas que obviamente ganha contornos mais sérios a medida que o filme avança.
O personagem Radio Raheem usa duas espécies de anéis, um em cada mão, com os dizeres “amor” e “ódio”, e em determinado momento explica como a vida é uma constante luta entre esses dois conceitos, que um está sempre tentando nocautear o outro. Apesar de hoje em dia parecer que o ódio está ganhando a batalha, temos que lutar para que o amor não beije a lona e perca a briga.

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